A psicultura e a aquicultura na América Latina têm experimentado um crescimento exponencial nas últimas décadas, tornando-se uma fonte crucial de proteína para a população mundial. Em 2021, a produção global alcançou 82,1 milhões de toneladas, com um valor de USD 259,7 bilhões, e estima-se que, até 2030, superará a pesca de captura como a principal fonte de peixe e produtos pesqueiros.
Por sua vez, a América Latina se destaca como um importante produtor, contribuindo com 14,7% do total mundial em 2021. Chile, Brasil, Equador, México e outros países da região lideram esta indústria com uma produção diversificada que inclui salmão, tilápia, camarão, truta, entre outras espécies.
A Argentina concentra-se principalmente na produção de truta arco-íris e salmão em água doce, impulsionada pela demanda interna e a exportação para países vizinhos.
No Chile, a alta tecnologia e eficiência caracterizam a indústria do salmão, posicionando-a como o segundo produtor mais importante do mundo.
O Peru se desenvolveu principalmente em zonas costeiras, aproveitando as condições ambientais favoráveis para a produção de tilápia, lagosta, lula, polvo e vieira.
O Brasil e o México, por sua vez, destacam-se como importantes produtores de tilápia, camarão, carpa e outras espécies, contribuindo para o desenvolvimento econômico e a segurança alimentar na região.
Tecnologia:
Estes e outros países que praticam a psicultura na América Latina empregam diversas tecnologias para otimizar a produção e garantir a qualidade e segurança dos produtos. Entre as principais tecnologias estão:
- Sistemas de aquicultura em recirculação (RAS): permitem reutilizar a água, reduzindo o consumo de água doce e o impacto ambiental.
- Aquaponia: combina a aquicultura com hidroponia, permitindo cultivar peixes e plantas em um mesmo sistema.
- Alimentação: utilizam-se dietas formuladas especificamente para as diferentes espécies e etapas de desenvolvimento dos peixes.
- Genética: aplica-se a seleção genética para melhorar as características desejáveis dos peixes, como crescimento, resistência a doenças e qualidade do produto.
A Riqueza do Mar: Benefícios
A psicultura e a aquicultura na América Latina, além de ser uma importante fonte de proteína para a população mundial, oferece uma série de benefícios econômicos e sociais nesta região. Esses benefícios não apenas contribuem para a segurança alimentar, mas também fomentam o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade na região.
Em primeiro lugar, aumenta a disponibilidade de proteína animal de alta qualidade, especialmente em regiões com alta densidade populacional. A produção de espécies como salmão, tilápia e camarão proporciona uma fonte confiável de alimento nutritivo, ajudando a atender à crescente demanda por proteínas na dieta da população latino-americana.
Além disso, gera empregos, renda e oportunidades de negócios em zonas rurais e costeiras. A criação de postos de trabalho na produção, processamento e comercialização destes produtos beneficia as comunidades locais, contribuindo para o desenvolvimento econômico e a redução da pobreza na região.
A diversificação econômica é outro benefício chave da psicultura na América Latina. Ao reduzir a dependência da pesca de captura, que enfrenta problemas de superexploração, a psicultura oferece uma alternativa sustentável para a produção de peixe e produtos pesqueiros. Isso não só protege os recursos naturais, mas também fortalece a resiliência econômica das comunidades que dependem do setor pesqueiro.
Além disso, algumas práticas , como a aquaponia e os sistemas de aquicultura em recirculação (RAS), são mais sustentáveis do que a agricultura tradicional. Essas tecnologias permitem um uso mais eficiente da água e dos recursos naturais, reduzindo o impacto ambiental da produção de alimentos e promovendo práticas agrícolas mais responsáveis.
Navegando Entre Correntes: Superando Desafios
Embora a psicultura e a aquicultura na América Latina tenha experimentado um crescimento notável, é importante adentrar nos detalhes dessa prática para compreender melhor seu impacto e potencial. Alguns dos desafios que apresenta são:
- Sustentabilidade ambiental: Se não for gerida adequadamente, pode gerar impactos ambientais negativos, como contaminação da água, destruição de habitats e introdução de doenças. É fundamental implementar práticas sustentáveis que minimizem esses impactos.
- Sanidade: As doenças e parasitas representam uma ameaça constante para a produção aquícola, gerando perdas econômicas e riscos para a saúde pública. É necessário fortalecer os sistemas de sanidade para prevenir e controlar doenças.
- Acesso a recursos: Requer acesso a recursos como água doce, terra e alimento, o que pode gerar conflitos com outros setores produtivos e comunidades locais. É necessário promover um uso eficiente e equitativo desses recursos.
- Comercialização e mercados: Os produtores muitas vezes enfrentam dificuldades para acessar mercados rentáveis, especialmente para produtos de alto valor. É necessário melhorar a infraestrutura de comercialização e fortalecer as cadeias de valor.
- Governança e regulação: A falta de marcos regulatórios claros e eficientes pode gerar incertezas para os investidores e dificultar o desenvolvimento sustentável. É necessário fortalecer a governança e a regulação do setor.
Apesar desses desafios, a psicultura e a aquicultura na América Latina apresenta um futuro promissor com uma crescente demanda por proteína, potencial para inovação, oportunidades para o desenvolvimento rural e a integração com outras atividades econômicas.



